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fevereiro 20, 2004
Separatistas, nós...???
Miguel Sousa Tavares; Eduardo Prado Coelho; Vital Moreira. Em comum têm o facto de ser três dos mais destacados detractores da Madeira e inimigos declarados da Autonomia, que não perdem uma oportunidade para nos visarem com o seu ferrete envenenado.
O ilustre constitucionalista não passa sem um "post scriptum" sarcástico, ou até mesmo um ocasional e pastoso artigo de fundo, onde se entretém a tratar a Madeira como um dispendioso e inútil apêndice de Portugal; o reputado pensador/escritor/comentador/poeta/crítico/etc., boião de cultura e balde de meritório conhecimento, adora pintalgar as suas profundas croniquetas no "Público" com tirinhos contra Jardim, o "inimputável", tendo também uma especial apetência por "défices democráticos", "despesismos insulares" e "clichés" conexos; finalmente, o ressabiado dragão da "beicinha torta", comentador de serviço em jornais, rádios e televisões, especialista em política (internacional, doméstica e de trazer por casa), economia, artes, desPorto, bilhardices e processos de pedofilia... Sempre que a oportunidade surge, é vê-lo a zurzir na nossa terra, bastas vezes com o arrevesado argumento de que são os contribuintes do "Continente" que pagam impostos para os madeirenses viverem bem.
Neste ponto reside uma das questões que mais nos penalizam actualmente: há uma dezena de anos atrás, era comum um madeirense de passagem por qualquer ponto do território continental ouvir elogios à sua terra e ao seu Presidente do Governo: – "Cá é que era preciso um Alberto João !" – bradavam muitos, cansados de cinzentismo.
Após longos anos de exposição às teorias perniciosas destes e de outros iluminados, hoje chega a ser penoso para um madeirense frequentar certos círculos do País Rectangular: há mesmo a convicção de que somos uma "cambada de chulos" que vive à custa dos sacrifícios alheios, vivendo rodeados de luxos e benesses, a quem basta afagar os úberes da vaquinha nacional para logo termos direito às tetas... Tretas!!!
Por que raio de raciocínio tortuoso é que só os impostos de lá é que contam? Quantos transmontanos vão beneficiar da Barragem do Alqueva? Quantos alentejanos vibraram com o Porto Capital Europeia da Cultura? Quantos minhotos já se deliciaram com o Centro Cultural de Belém? Quantos algarvios percorreram extasiados os modernos quilómetros de auto-estrada que ligam Lisboa ao Porto? Finalmente, quantos açorianos e madeirenses irão assistir a jogos nos Estádios do "Erro 2004"? Quantos vão atravessar a ponte Vasco da Gama ou visitar o Parque das Nações?
Em todos os casos, certamente alguns, em certos casos eventualmente muitos – mas o dinheiro saiu do bolso de todos os contribuintes, e ninguém ladrou que andava o resto do País a pagar a barragem aos alentejanos, a cultura aos tripeiros ou as pontes aos pintas de Lisboa...
Por isso, de uma vez por todas, convençam-se de que os madeirenses também pagam impostos, e de que o que é feito na Madeira é feito em território nacional, logo é para o bem do País.
E ainda dizem que somos nós os separatistas...
Publicado por Raul Ribeiro às 10:40 PM | Comentários (0)